quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um lugar para chorar


A dor vinha represada a dias, a mulher desejava apenas que não vazasse em hora imprópria, mas que controle poderia ter? Estava dirigindo rumo ao supermercado,
quando uma música escapou do rádio para devorá-la inteira, e então, às dez e vinte de uma manhã de sexta-feira, numa rua bastante movimentada, ela começou a chorar.
Buscou os óculos na bolsa, mas não desligou o rádio, pois já não havia remédio, agora que desaguava. Os pensamentos aproveitaram a correnteza e invadiram o cérebro,
cristalinos. Todas as verdades emergiram juntas: já que não havia mais como parar o sofrimento, ao menos seria prudente estacionar o carro. Procurou uma rua calma,
encostou no meio-fio, mas havia pessoas na calçada. Arrancou. Em outra rua, estacionou diante de um prédio, mas logo viu o porteiro levantando do banquinho e se
aproximando, quem é essa estranha a esta hora? Foi embora.
Deslizou por avenidas que exigiam mais velocidade, mas não conseguia ultrapassar os quarenta quilômetros por hora, impossível ir rápido para lugar nenhum. Ela passeava
lentamente pela tristeza que finalmente tinha vindo ao seu encontro, sem escolher o momento.
Perto do supermercado, quando já parecia que estava começando a se controlar, uma nova implosão jogou mais e mais lágrimas pra fora, precisava parar. Foi para os
arredores de um colégio, mas ali não era seguro, havia muitos conhecidos.
Tentou uma pequena e abandonada alameda residencial, mas viu olhos espiando por trás das cortinas. Foi um pouco mais adiante, parou de novo em frente a um terreno
baldio, e aí foi o medo que não permitiu que ficasse, era só o que faltava ser vítima de alguma outra violência, já lhe bastava o assalto dessa emoção que não cessava.
O ray-ban apoiado no nariz vermelho tentava esconder a pele úmida. Que ninguém alinhe o carro ao lado do meu neste sinal fechado, ela pensava enquanto pensava também
em como estava vivendo a vida errada, a vida de outra pessoa que não era ela. Por onde começar a procurar aquela outra que havia sido um dia? Não se dava conta de
que era exatamente o que acontecia, o tumultuado encontro dela com ela mesma a lhe atropelar por dentro.
Diminuiu o ritmo perto de uma igreja, mas havia uma parada de ônibus, impossível deter-se ali. Encostou diante de outro prédio, mas já havia morado naquela rua.
Na frente do parque, não. Alguém viria cumprimentar, sempre há alguém que lembra de você de algum lugar.
Não conseguindo estacionar o carro, foi obrigada a estancar o choro. Limpou o rosto com um lenço de papel que encontrou no porta-luvas, olhou pelo retrovisor para
ver se a aparência denunciava sua situação, e resolveu que dava para enfrentar a vida, bastava não tirar o ray-ban da cara.
Chegando ao supermercado, pegou um carrinho de compras e consultou a lista que a empregada lhe dera. Farinha. Carne de segunda. Azeite. Papel higiênico. Cebola.
A mulher que ela não era assumira de novo o comando.

terça-feira, 29 de junho de 2010

A gramática do "amor"

Qual o verbo mais usado: AMAR ou ESQUECER?
o meu é TENTAR.

Eu TENTEI AMAR você.
Eu TENTO te ESQUECER.
-----------------------------------------------------

Eu (te)AMO
Tu (me)AMA?
Ele (te) AMA (como eu?)
Nós (nos) AMAMOS (ê,sonho)


Eu (não) ESQUECI
Tu (já) ESQUECEU (?)
Ele (nunca) ESQUECE
Nós (nos) ESQUECEMOS(?)


-------------------------------------------------------

Como diz o sábio Homer Simpson: Tentar é o primeiro passo rumo ao FRACASSO.

FRACASSO. ainda não me habituei a essa palavra.logo eu! que estou acostumada a ter TUDO e TODOS(exceto meu amor platônico,whatever)

Tá,sabe que até foi uma experiencia boa?
Uma coisa eu aprendi nesse tempo de vácuo/silencio mortal,aprendi a cultivar o amor própio.é isso: o único amor que possuo, é o amor própio. esse é meu MANTRA. rs



Você chega com essa carinha de quem só quer conversar,toma o meu tempo,minha alegria,minha alma...
e depois vai embora do mesmo jeito que veio...



Como diz a madastra da Cinderela: O AMOR SO ACONTECE EM DELIRIOS FANTASIOSOS.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

a REVOLTA DO BEBERIBE.

Bom,pra quem mora em na RMR,sabe que desde sábado que chove sem parar,né?
então,neste cu de chuva.
fui trabalhar hoje,MAZELADA.
pior coisa do mundo é a pessoa acordar cedo,e na chuvinha MARAAAMMMM é pior ainda.
enfim...
fui trabalhar,andei que só a má noticia pra pegar o busão.
Quando to no bus,um cara caiu com a bike num buraco,e TODO o mundo rindo da face dele(inclusive eu,lógico)
Desço no trabalho TUDO ALAGADO(e toda a cidade,bejs)
volto pra casa,no meio da tarde,não tem como ir pegar o busão,IMPOSSIVEL de atravessar a avenida(presidente Kennedy/Olinda)sem cair em algum buraco,ou pegar alguma doença.
Eis que meu amigue do trabalho(que eu NEM SEI O NOME) me oferece uma carona,DE MOTO(melhor que nada,né?)véi foi a 'S'ena...
Aguaceiro
Povo POBRE
muita chuva
mais POBRE
Onibus molhando nóis

o Rio transbordou.
Rio esse que da origem ao meu VULGO.
BEBERIBE(que HONRA,não? ¬¬º)

Agora a noite,fui no mercado embaixo da urina de são pedro,pra comprar: salgadinho,coisa pra fazer brigadeiro,e BANANA(ADOGO,sim eu tava com desejo de comer banana assada xd)...
Tem a rua que eu moro...
a avenida BEBERIBE,uma ladeira(descendo) e O rio BEBERIBE,e do rio pra Olinda são, tipo,uns 5 segundo(sem brincadeira)
bom,aih...
fui eu,tirar foto da enchente,eu nunca vi coisa igual.
GENTE o rio BEBERIBE vai dominar o MUNDO.
ADOOORO.

Ps:Não sei como eu vou trabalhar amanha,pois eu tenho que passar pela ponte(que tá embaixo de BEBERIBE)que não existe mais. ou seja: FUDEU DE VEZ.

e pra voces fotos EXCRUZIVAS de uma cinegrafista amadora: MIM xD


Eu estudei ai,onde tem essas motos na frente da casa.
minha professora gritava comigo.tenho sequelas até hj. =(


Asfalto é pros FRACOS.



Bom, é por ai que eu vou ter que passar pra ir trabalhar amanha.
é,preciso de sorte!

e que sao pedro deixe de causar com a nossa face.
¬¬º

Boa noite pra onde não chove. (L)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Procura-se a felicidade


Acredita-se que pensar positivo leva a uma vida mais feliz e saudável.
Quando crianças, nos dizem para sorrirmos.Sermos alegres e mostrar
um rosto feliz.
Quando adultos, nos dizem para olhar pelo lado bom.Para fazermos limonada e vermos os copos como quase cheios.Às vezes, realidade pode tentar
nos impedir de ficarmos alegres.Maridos falham. Namorados podem trair. Amigos podem te deixar na mão.É nesses momentos.
Quando quer torná-los reais,largar os joguinhos e ser verdadeiro...


Pergunte às pessoas o que querem da vida, a resposta é simples...SER FELIZ.
Talvez seja essa expectativa. Querer ser feliz Que nos impede de sermos felizes.
Talvez quanto mais tentamos ficar em estado de alegria mais confusos ficamos até não nos reconhecermos mais.Ao invés disso, continuamos sorrindo, tentando ser as pessoas felizes que queríamos ser.Até que cai a ficha, sempre esteve lá...não em nossos sonhos e
esperanças, mas no conhecido,o confortável,o familiar.

domingo, 9 de maio de 2010

A tristeza voltou


Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de
viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no
que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pró computador, sair para compras e reuniões - se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe
disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive
vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer "te anima" e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da
minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada
uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo,
telefone já para o seu psiquiatra.
21
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar
triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão.
Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo,
é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas.
"Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down..." Lembra
da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está
tudo bem, melhor desamarrar a cara. "Não quero te ver triste assim", sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam
de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o
seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste
(agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus
abaixo da euforia.
22
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para
festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta,
anunciando o fim de mais uma dor - até que venha a próxima, normais
que somos.

sábado, 1 de maio de 2010

Um paraíso que não quero!


Vida e morte foram minhas, e eu fui monstruosa. Minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai. Durante as horas de perdição tive a coragem de não compor nem organizar. E, sobretudo a de não prever. Até então eu não tivera a coragem de me deixar guiar pelo que não conheço e em direção ao que não conheço: minhas previsões condicionavam de antemão o que eu veria. Não eram as antevisões da visão: já tinham o tamanho de meus cuidados. Minhas previsões me fechavam o mundo.
Até que por horas desisti. E, por Deus, tive o que eu não gostaria. Não foi ao longo de um vale fluvial que andei eu sempre pensara que encontrar seria fértil e úmido como vales fluviais. Não contava que fosse esse grande desencontro.
Para que eu continue humana meu sacrifício será o de esquecer? Agora saberei reconhecer na face comum de algumas pessoas que elas esqueceram. E nem sabem mais que esqueceram o que esqueceram.
Eu vi. Sei que vi porque não dei ao que vi o meu sentido. Sei que vi - porque não entendo. Sei que vi - porque para nada serve o que vi. Escuta, vou ter que falar porque não sei o que fazer de ter vivido. Pior ainda: não quero o que vi. O que vi arrebenta a minha vida diária. Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi, livra-me de minha inútil visão, e de meu pecado inútil.
Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão.
Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer - nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior - muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho.
Ir para o sono se parece tanto com o modo como agora tenho de ir para a minha liberdade. Entregar-me ao que não entendo será pôr-me à beira do nada. Será ir apenas indo, e como uma cega perdida num campo. Essa coisa sobre natural que é viver. O viver que eu havia domesticado para torná-lo familiar. Essa coisa corajosa que será entregar-me, e que é como dar a mão à mão mal-assombrada do Deus, e entrar por essa coisa sem forma que é um paraíso. Um paraíso que não quero!



Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão.

domingo, 25 de abril de 2010

Por Favor...


Eu não espero que você seja o-grande-amor-da-minha-vida, parei de acreditar nisso na quinta série quando a moça que trabalhava na biblioteca do meu colégio me disse que estava se separando do marido dela. Meus pais estão juntos até hoje, mas a gente sabe bem como vão as coisas ali. A moça da biblioteca chorou. Não quero que você me faça chorar. Não quero que você seja um motivo ruim na minha vida. Você é motivo de sorrisos, razão pra eu acordar num dia de chuva e tomar banho e mudar de roupa porque eu sei que você vai passar aqui, vai trazer algo congelado pra gente ver ser aquecido no forno e comer enquanto falamos bobagens. Não quero te odiar. Não quero falar mal de você pros outros. Pras minhas amigas. Quero falar mal de você como quem ama. Pois é,ele nunca lembra de desligar o celular antes de dormir e sempre alguém do trabalho liga. Sabe, eu quero dizer isso. Que o máximo de irritação que você me provoca é me acordar de manhã cedo falando bobagens que parecem ser importantes no celular. Não quero que você me largue. Não quero te largar. Não quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu não tenho medo que isso aconteça (eu nunca tenho), eu fiz isso com todos os outros. É só que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com você, eu queria que desse certo. Que eu não te largasse no altar. Que eu não te visse com outra. Que eu não tivesse raiva. Que você não passasse a comer de boca aberta. Que você entendesse o meu problema com chãos de banheiro molhados pra sempre. Que você gostasse e cuidasse de mim como disse ontem à noite que cuidará. Eu quero que dê certo, não estraga, por favor. Não estraga não estraga não estraga. Posso pôr um post-it na sua carteira? Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você. Nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou aparece no olho mágico da minha por minha porta. Mesmo que você apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. É só o que eu peço.

 
Seriously?! © 2007 Template feito por Áurea R.C.