
Há uns poucos dias em Outubro que são quase perfeitos.o céu se estende sobre um azul claro,tão profundo que faz o resto mais bonito. cada cor é brilhante.
Era um tempo perfeito para dar largos passeios pelo parque,pela cidade com alguem de mãos dadas. já que não tenho ninguem assim, somente esperava que durante o fim-de-semana livre pudesse sair sozinha. a possibilidade disso era de poucas,a nenhuma.
Ao final do dia, quando tudo termina, tudo que a gente mais quer é estar perto de alguém. Então essa coisa onde a gente mantém distância e finge não importar com os outros é geralmente besteirada. Então nós escolhemos aqueles que queremos permanecer próximos e, uma vez que escolhemos tais pessoas, tendemos a manter contato. Não importa o quanto machuquemos elas - as pessoas que ainda estão contigo ao final do dia, estas são aquelas que vale a pena manter. E, claro, às vezes próximo pode ser próximo demais. Mas, às vezes, aquela invasão de espaço pessoal pode ser exatamente aquilo que você precisa.
(dica de imagem da @bruna_cabral_)
terça-feira, 5 de outubro de 2010
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domingo, 3 de outubro de 2010
Venha.

Venha logo, traga de volta a minha certeza, não deixe, por favor, não deixe. Traga um agasalho para esquentar a minha falta de amor e ganhe em troca um ingresso para a minha fidelidade.[...]
[...]Venha agora, não espere o músculo, a piada, o botão, o calo, a saudade, o arrependimento, o vazio. Eu preciso sentir que você ainda sente, eu preciso que o seu coração dê um choque no meu, eu preciso saber que seu peito ainda aperta um pouco quando eu vou embora e se espalha como borboletas nas veias quando eu chego.
Tudo o que eu quero, quando ela me olha sem pressa e sorri nervosa sem saber porque a gente procura se perder. Eu ainda preciso que você me ache bonita, se surpreenda, me comemore e esqueça um pouco de todo o resto pra se encantar sem medo do tempo.
Não me tire a razão, não me tire a honra, não me faça estragar tudo só para sentir o vento na cara de novo e a música alta. Berre e assopre em mim enquanto é tempo.
Eu ainda quero viver para você. Venha agora, ganhe a corrida, passe todo o resto pra trás, é você quem eu continuo eternamente esperando na linha final.
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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Uma gota de suor escorreu pelo meu rosto.
Eu a limpei com a palma da minha mão.
Eu estava suando como um porco, e eu ainda sentia frio.
Medo,mas não do bicho-papão,e sim do que eu estava prestes a fazer.
Se fosse um músculo, eu poderia movê-lo.
Se fosse um pensamento, eu poderia pensar.
Se fosse uma palavra mágica, eu poderia dizer. Não é nada assim. É como a minha pele fica fria,mesmo sob a roupa. Eu posso sentir todas as terminações nervosas nuas ao vento. E mesmo nesta quente, suada noite de Agosto, senti minha pele fria. É quase como um minúsculo, frio vento emanando da minha pele. Mas não é o vento, ninguém mais pode sentir isso. Isso não explode através de uma sala como um filme de terror de Hollywood.
Não é chamativo. É tranqüilo. Privado.
Meu!.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dar um soco nas fuças de alguém tem muito valor terapêutico. Em especial para alguém que, como eu, pode estar sofrendo. Porque era
isso que eu estava, claro.SOFRENDO
Só que - e não sei se isso se aplica a todos ou só a mim -
realmente não sofro como uma pessoa normal.
Quero dizer, eu fiquei sentada abrindo o
berreiro depois que percebi que nunca mais iria vê-lo.
Mas então uma coisa aconteceu. Parei de me sentir triste e comecei a ficar
furiosa.
Furiosa de verdade. Ali estava eu, já passava da meia -noite, e me sentia
extremamente furiosa.
Não que não quisesse manter a promessa
Queria sim. Mas simplesmente não podia...
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domingo, 8 de agosto de 2010

Embora eu saiba que, mesmo em segredo, a liberdade não resolve a culpa. Mas é preciso ser maior que a culpa. A minha ínfima parte divina é maior que a minha culpa humana. O Deus é maior que minha culpa essencial. Então prefiro o Deus, à minha culpa. Não para me desculpar e para fugir mas porque a culpa me amesquinha.
Eu já não queria fazer nada pela barata. Estava me libertando de minha moralidade - embora isso me desse medo, curiosidade e fascínio; e muito medo. Não vou fazer nada por ti, também eu ando de rojo. Não vou fazer nada por ti porque não sei mais o sentido de amor como antes eu pensava que sabia. Também do que eu pensava sobre amor, também disso estou me despedindo, já quase não sei mais o que é, já não me lembro.
Talvez eu ache um outro nome, tão mais cruel a princípio, e tão mais ele-mesmo. Ou talvez não ache. Amor é quando não se dá nome à identidade das coisas?
Mas agora sei de algo horrível: sei o que é precisar, precisar, precisar. E é um precisar novo, num plano que só posso chamar de neutro e terrível. É um precisar sem nenhuma piedade pelo meu precisar e sem piedade pelo precisar da barata. Estava sentada, quieta, suando, exatamente como agora - e vejo que há alguma coisa mais séria e mais fatal e mais núcleo do que tudo o que eu costumava chamar por nomes. Eu, que chamava de amor a minha esperança de amor.
Mas agora, é nesta atualidade neutra da natureza e da barata e do sono vivo de meu corpo, que eu quero saber o amor. E quero saber se a esperança era uma contemporização com o impossível. Ou se era um adiamento do que é possível já - e que eu só não tenho por medo. Quero o tempo presente que não tem promessa, que é, que está sendo. Este é o núcleo do que eu quero e temo. Este é o núcleo que eu jamais quis.
A barata me tocava toda com seu olhar negro, facetado, brilhante e neutro.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
Um lugar para chorar

A dor vinha represada a dias, a mulher desejava apenas que não vazasse em hora imprópria, mas que controle poderia ter? Estava dirigindo rumo ao supermercado,
quando uma música escapou do rádio para devorá-la inteira, e então, às dez e vinte de uma manhã de sexta-feira, numa rua bastante movimentada, ela começou a chorar.
Buscou os óculos na bolsa, mas não desligou o rádio, pois já não havia remédio, agora que desaguava. Os pensamentos aproveitaram a correnteza e invadiram o cérebro,
cristalinos. Todas as verdades emergiram juntas: já que não havia mais como parar o sofrimento, ao menos seria prudente estacionar o carro. Procurou uma rua calma,
encostou no meio-fio, mas havia pessoas na calçada. Arrancou. Em outra rua, estacionou diante de um prédio, mas logo viu o porteiro levantando do banquinho e se
aproximando, quem é essa estranha a esta hora? Foi embora.
Deslizou por avenidas que exigiam mais velocidade, mas não conseguia ultrapassar os quarenta quilômetros por hora, impossível ir rápido para lugar nenhum. Ela passeava
lentamente pela tristeza que finalmente tinha vindo ao seu encontro, sem escolher o momento.
Perto do supermercado, quando já parecia que estava começando a se controlar, uma nova implosão jogou mais e mais lágrimas pra fora, precisava parar. Foi para os
arredores de um colégio, mas ali não era seguro, havia muitos conhecidos.
Tentou uma pequena e abandonada alameda residencial, mas viu olhos espiando por trás das cortinas. Foi um pouco mais adiante, parou de novo em frente a um terreno
baldio, e aí foi o medo que não permitiu que ficasse, era só o que faltava ser vítima de alguma outra violência, já lhe bastava o assalto dessa emoção que não cessava.
O ray-ban apoiado no nariz vermelho tentava esconder a pele úmida. Que ninguém alinhe o carro ao lado do meu neste sinal fechado, ela pensava enquanto pensava também
em como estava vivendo a vida errada, a vida de outra pessoa que não era ela. Por onde começar a procurar aquela outra que havia sido um dia? Não se dava conta de
que era exatamente o que acontecia, o tumultuado encontro dela com ela mesma a lhe atropelar por dentro.
Diminuiu o ritmo perto de uma igreja, mas havia uma parada de ônibus, impossível deter-se ali. Encostou diante de outro prédio, mas já havia morado naquela rua.
Na frente do parque, não. Alguém viria cumprimentar, sempre há alguém que lembra de você de algum lugar.
Não conseguindo estacionar o carro, foi obrigada a estancar o choro. Limpou o rosto com um lenço de papel que encontrou no porta-luvas, olhou pelo retrovisor para
ver se a aparência denunciava sua situação, e resolveu que dava para enfrentar a vida, bastava não tirar o ray-ban da cara.
Chegando ao supermercado, pegou um carrinho de compras e consultou a lista que a empregada lhe dera. Farinha. Carne de segunda. Azeite. Papel higiênico. Cebola.
A mulher que ela não era assumira de novo o comando.
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terça-feira, 29 de junho de 2010
A gramática do "amor"
Qual o verbo mais usado: AMAR ou ESQUECER?
o meu é TENTAR.
Eu TENTEI AMAR você.
Eu TENTO te ESQUECER.
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Eu (te)AMO
Tu (me)AMA?
Ele (te) AMA (como eu?)
Nós (nos) AMAMOS (ê,sonho)
Eu (não) ESQUECI
Tu (já) ESQUECEU (?)
Ele (nunca) ESQUECE
Nós (nos) ESQUECEMOS(?)
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Como diz o sábio Homer Simpson: Tentar é o primeiro passo rumo ao FRACASSO.
FRACASSO. ainda não me habituei a essa palavra.logo eu! que estou acostumada a ter TUDO e TODOS(exceto meu amor platônico,whatever)
Tá,sabe que até foi uma experiencia boa?
Uma coisa eu aprendi nesse tempo de vácuo/silencio mortal,aprendi a cultivar o amor própio.é isso: o único amor que possuo, é o amor própio. esse é meu MANTRA. rs
Você chega com essa carinha de quem só quer conversar,toma o meu tempo,minha alegria,minha alma...
e depois vai embora do mesmo jeito que veio...
Como diz a madastra da Cinderela: O AMOR SO ACONTECE EM DELIRIOS FANTASIOSOS.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
a REVOLTA DO BEBERIBE.
Bom,pra quem mora em na RMR,sabe que desde sábado que chove sem parar,né?
então,neste cu de chuva.
fui trabalhar hoje,MAZELADA.
pior coisa do mundo é a pessoa acordar cedo,e na chuvinha MARAAAMMMM é pior ainda.
enfim...
fui trabalhar,andei que só a má noticia pra pegar o busão.
Quando to no bus,um cara caiu com a bike num buraco,e TODO o mundo rindo da face dele(inclusive eu,lógico)
Desço no trabalho TUDO ALAGADO(e toda a cidade,bejs)
volto pra casa,no meio da tarde,não tem como ir pegar o busão,IMPOSSIVEL de atravessar a avenida(presidente Kennedy/Olinda)sem cair em algum buraco,ou pegar alguma doença.
Eis que meu amigue do trabalho(que eu NEM SEI O NOME) me oferece uma carona,DE MOTO(melhor que nada,né?)véi foi a 'S'ena...
Aguaceiro
Povo POBRE
muita chuva
mais POBRE
Onibus molhando nóis
o Rio transbordou.
Rio esse que da origem ao meu VULGO.
BEBERIBE(que HONRA,não? ¬¬º)
Agora a noite,fui no mercado embaixo da urina de são pedro,pra comprar: salgadinho,coisa pra fazer brigadeiro,e BANANA(ADOGO,sim eu tava com desejo de comer banana assada xd)...
Tem a rua que eu moro...
a avenida BEBERIBE,uma ladeira(descendo) e O rio BEBERIBE,e do rio pra Olinda são, tipo,uns 5 segundo(sem brincadeira)
bom,aih...
fui eu,tirar foto da enchente,eu nunca vi coisa igual.
GENTE o rio BEBERIBE vai dominar o MUNDO.
ADOOORO.
Ps:Não sei como eu vou trabalhar amanha,pois eu tenho que passar pela ponte(que tá embaixo de BEBERIBE)que não existe mais. ou seja: FUDEU DE VEZ.
e pra voces fotos EXCRUZIVAS de uma cinegrafista amadora: MIM xD
Eu estudei ai,onde tem essas motos na frente da casa.
minha professora gritava comigo.tenho sequelas até hj. =(
Asfalto é pros FRACOS.
Bom, é por ai que eu vou ter que passar pra ir trabalhar amanha.
é,preciso de sorte!
e que sao pedro deixe de causar com a nossa face.
¬¬º
Boa noite pra onde não chove. (L)
Postado por Janyne Forbes
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Procura-se a felicidade

Acredita-se que pensar positivo leva a uma vida mais feliz e saudável.
Quando crianças, nos dizem para sorrirmos.Sermos alegres e mostrar
um rosto feliz.
Quando adultos, nos dizem para olhar pelo lado bom.Para fazermos limonada e vermos os copos como quase cheios.Às vezes, realidade pode tentar
nos impedir de ficarmos alegres.Maridos falham. Namorados podem trair. Amigos podem te deixar na mão.É nesses momentos.
Quando quer torná-los reais,largar os joguinhos e ser verdadeiro...
Pergunte às pessoas o que querem da vida, a resposta é simples...SER FELIZ.
Talvez seja essa expectativa. Querer ser feliz Que nos impede de sermos felizes.
Talvez quanto mais tentamos ficar em estado de alegria mais confusos ficamos até não nos reconhecermos mais.Ao invés disso, continuamos sorrindo, tentando ser as pessoas felizes que queríamos ser.Até que cai a ficha, sempre esteve lá...não em nossos sonhos e
esperanças, mas no conhecido,o confortável,o familiar.
Postado por Janyne Forbes
domingo, 9 de maio de 2010
A tristeza voltou

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de
viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no
que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pró computador, sair para compras e reuniões - se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe
disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive
vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer "te anima" e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da
minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada
uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo,
telefone já para o seu psiquiatra.
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A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar
triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão.
Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo,
é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas.
"Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down..." Lembra
da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está
tudo bem, melhor desamarrar a cara. "Não quero te ver triste assim", sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam
de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o
seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste
(agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus
abaixo da euforia.
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Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para
festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta,
anunciando o fim de mais uma dor - até que venha a próxima, normais
que somos.
Postado por Janyne Forbes
sábado, 1 de maio de 2010
Um paraíso que não quero!

Vida e morte foram minhas, e eu fui monstruosa. Minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai. Durante as horas de perdição tive a coragem de não compor nem organizar. E, sobretudo a de não prever. Até então eu não tivera a coragem de me deixar guiar pelo que não conheço e em direção ao que não conheço: minhas previsões condicionavam de antemão o que eu veria. Não eram as antevisões da visão: já tinham o tamanho de meus cuidados. Minhas previsões me fechavam o mundo.
Até que por horas desisti. E, por Deus, tive o que eu não gostaria. Não foi ao longo de um vale fluvial que andei eu sempre pensara que encontrar seria fértil e úmido como vales fluviais. Não contava que fosse esse grande desencontro.
Para que eu continue humana meu sacrifício será o de esquecer? Agora saberei reconhecer na face comum de algumas pessoas que elas esqueceram. E nem sabem mais que esqueceram o que esqueceram.
Eu vi. Sei que vi porque não dei ao que vi o meu sentido. Sei que vi - porque não entendo. Sei que vi - porque para nada serve o que vi. Escuta, vou ter que falar porque não sei o que fazer de ter vivido. Pior ainda: não quero o que vi. O que vi arrebenta a minha vida diária. Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi, livra-me de minha inútil visão, e de meu pecado inútil.
Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão.
Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer - nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior - muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho.
Ir para o sono se parece tanto com o modo como agora tenho de ir para a minha liberdade. Entregar-me ao que não entendo será pôr-me à beira do nada. Será ir apenas indo, e como uma cega perdida num campo. Essa coisa sobre natural que é viver. O viver que eu havia domesticado para torná-lo familiar. Essa coisa corajosa que será entregar-me, e que é como dar a mão à mão mal-assombrada do Deus, e entrar por essa coisa sem forma que é um paraíso. Um paraíso que não quero!
Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão.
Postado por Janyne Forbes
domingo, 25 de abril de 2010
Por Favor...

Eu não espero que você seja o-grande-amor-da-minha-vida, parei de acreditar nisso na quinta série quando a moça que trabalhava na biblioteca do meu colégio me disse que estava se separando do marido dela. Meus pais estão juntos até hoje, mas a gente sabe bem como vão as coisas ali. A moça da biblioteca chorou. Não quero que você me faça chorar. Não quero que você seja um motivo ruim na minha vida. Você é motivo de sorrisos, razão pra eu acordar num dia de chuva e tomar banho e mudar de roupa porque eu sei que você vai passar aqui, vai trazer algo congelado pra gente ver ser aquecido no forno e comer enquanto falamos bobagens. Não quero te odiar. Não quero falar mal de você pros outros. Pras minhas amigas. Quero falar mal de você como quem ama. Pois é,ele nunca lembra de desligar o celular antes de dormir e sempre alguém do trabalho liga. Sabe, eu quero dizer isso. Que o máximo de irritação que você me provoca é me acordar de manhã cedo falando bobagens que parecem ser importantes no celular. Não quero que você me largue. Não quero te largar. Não quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu não tenho medo que isso aconteça (eu nunca tenho), eu fiz isso com todos os outros. É só que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com você, eu queria que desse certo. Que eu não te largasse no altar. Que eu não te visse com outra. Que eu não tivesse raiva. Que você não passasse a comer de boca aberta. Que você entendesse o meu problema com chãos de banheiro molhados pra sempre. Que você gostasse e cuidasse de mim como disse ontem à noite que cuidará. Eu quero que dê certo, não estraga, por favor. Não estraga não estraga não estraga. Posso pôr um post-it na sua carteira? Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você. Nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou aparece no olho mágico da minha por minha porta. Mesmo que você apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. É só o que eu peço.
Postado por Janyne Forbes
domingo, 11 de abril de 2010
Me perco,me procuro,me acho.

É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas estou tão pouco preparada para entender. Mas como faço agora? Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar, a menos que soubesse para o quê.
A paixão segundo G.H
Clarice Lispector.
Tô lendo esse livro. já no 1º capítulo ele já me deixou muito excitada com as palavras.
ESSA MULHER É O CARA!
Perder-se tambem é caminho.
Postado por Janyne Forbes
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Não,nada passa

Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.
Postado por Janyne Forbes
terça-feira, 30 de março de 2010
Deixe-me tentar de novo...

Você viveu um grande amor que terminou meses atrás. Está só. Nada nesta mão, nada na outra. A sexta-feira vai terminando e, enquanto seus colegas de trabalho aquecem as turbinas para o fim-de-semana, você procura no jornal algum filme que ainda não tenha visto na tevê. Ao descobrir que vai passar Moulin Rouge de novo, não resiste e cai em tentação: liga para o ex.
Tentar outra vez o mesmo amor. Quem já não caiu nesta armadilha? Se ele também estiver sozinho, é sopa no mel. Os dois já se conhecem de trás para frente. Não precisam perguntar o signo: podem pular esta parte e ir direto ao que interessa. Sabem o prato preferido de cada um, se gostam de mar ou de montanha, enfim, está tudo como era antes, é só prorrogar a vigência do contrato. Tanto um como o outro sabem de cor o seu papel.
Porém, apesar de toda boa intenção, nenhum dos dois consegue disfarçar o cheirinho de comida requentada que fica no ar. O motivo que levou à separação continua por ali, escondido atrás do sofá, e qualquer hora aparece para um drinque. O fim de um romance quase nunca tem a ver com os rompimentos de novela, onde a mocinha abre mão do amado porque alguém a está chantageando ou porque descobriu que ele é, na verdade, seu irmão gêmeo. No último capítulo tudo se esclarece e a paixão segue sem cicatrizes. Já rompimentos causados por incompatibilidades reais não são assim tão fáceis de serem contornados.
Toda reconciliação é precedida por uma etapa onde o casal, cada um no seu canto, faz idealizações. As frases que não foram ditas começam a ser decoradas. As mancadas não serão repetidas. As discussões serão evitadas. Na nossa cabeça, tudo vai dar certo: o roteiro do romance foi reescrito e os defeitos foram retirados do script, ficando só as partes boas. Mas na hora de encenar, cadê o diretor? À sós no palco, constatamos que somos os mesmos de antigamente, em plena recaída.
Se alguém termina um namoro ou casamento, passa um tempo sozinho e depois resolve voltar só por falta de opção, está procurando sarna para se coçar. Até existe a possibilidade de dar certo, mas a sensação é parecida com a de rever um filme. Numa segunda apreciação, pode-se descobrir coisas que não haviam sido notadas na primeira vez, já que não há tanta ansiedade. Mas também não há impactos, surpresas, revelações. Ficamos preparados tanto para as alegrias como para os sustos e, cá entre entre nós, isso não mantém o brilho do olho.
Se já não há mais esperança para o relacionamento e tendo doído tanto a primeira separação, não há por que batalhar por uma sobrevida deste amor, correndo o risco de ganhar de brinde uma sobrevida para a dor também. É melhor aproveitar esta solidão indesejada para namorar um pouco a si mesmo?
To be continue....
Postado por Janyne Forbes
quarta-feira, 17 de março de 2010
Inxeplicavelmente, só restam fragmentos.

Afinal de contas,de quantas maneiras um coração pode ser destroçado e ainda continuar batendo?
Nos ultimos dias,eu tinha passado por muitas experiencias que poderiam ter acabado comigo,mas isso não me deixou mais forte.Ao contrário,eu me sinto horrivelmente frágil,COmo se uma única palavra pudesse me despedaçar.
Ivânia,vai ficar do ladinho de Deus.
Mirelly,jaja vc fica boa,e vamos curtir muito.
E como você sabe que demais é demais? Cedo demais. Informação demais. Diversão demais. Amor demais. Pedir demais... E quando tudo passa a ser coisa demais para se aguentar?
Eu não aguento mais isso...
Postado por Janyne Forbes
quarta-feira, 10 de março de 2010
GoodBye...

De acordo com Elizabeth Kubler Ross, quando sofremos uma perda catastrófica ou chegamos ao ponto mais fundo do poço, todos nós passamos pelas cinco fases de luto. Nós entramos em negação porque o tormento é tão inimaginável que não conseguimos tomá-lo como verdadeiro. Temos raiva de todos, raiva de nós mesmos. Então nós barganhamos. Nós pleiteamos. Nós oferecemos tudo que temos em troca de mais uma chance. Quando a barganha falha e fica difícil demais sustentar a raiva, caímos em depressão, desespero, sentindo-nos desesperançosos. Até que finalmente percebemos que fizemos tudo que podíamos. Nós desistimos e então passamos à aceitação.
Na faculdade do cotidiano, temos centenas de aulas que nos ensinam a como combater a morte... e nenhuma que nos ensine como continuar vivendo.
O dicionário define luto como um sofrimento mental intenso ou estresse por aflição ou perda; lamento agudo; arrependimento doloroso. Como cirurgiões, como cientistas, somos ensinados a aprendermos e confiarmos em livros - em definições, em definitivos. Mas na vida, definições exatas raramente se aplicam. Na vida, o luto pode parecer um monte de coisas que pouco se assemelham com lamento agudo.
Luto pode ser algo que todos nós tenhamos em comum, mas ele aparece diferente em cada um.
E não só ficamos de luto por morte. Também pela vida. Pela perda. Pela mudança.
E quando refletimos porque é tem que ser tão ruim às vezes, porque tem que doer tanto... o que temos que manter em mente é que isso pode mudar a qualquer hora.
É assim que você se mantém vivo. Quando dói a ponto de não dar pra respirar, é assim que você sobrevive.
Ao se lembrar que, de alguma maneira que seria impossível, você não se sentirá assim. Não vai doer tanto.
O luto chega em seu próprio tempo para todos, à sua própria maneira.
Então o melhor que podemos fazer - o que qualquer de um pode fazer - é vivenciá-lo honestamente.
A parte realmente chata, a pior parte do luto, é que você não consegue controlá-lo.
A O melhor que podemos fazer é tentar permitirmos sentí-lo quando chegar. E deixá-lo partir quando conseguirmos.
A pior parte é o momento que você acha que você o superou, ele recomeça novamente.
E sempre, todas as vezes, ele te deixa sem ar.
Há cinco estágios de luto. Eles aparecem diferente em cada um, mas há sempre cinco.
Negação.
Raiva.
Barganha.
Depressão.
Aceitação.
♪Goodbye my friend (I know you're gone, you said you're gone,
but I can still feel you here)
é, isso é a vida.
Ivania Henrique.
Essas fotos,foi no dia da festa de aniversário dela.
A Zigoto.
a mascotinha do povo.
eu ainda não acredito...
Postado por Janyne Forbes
segunda-feira, 8 de março de 2010
O acidente perfeito

Não importa quantos planos traçamos, ou quantos passos seguimos, nunca sabemos como o dia irá acabar. Preferiríamos saber, é claro, quais bolas curvas serão jogadas para nós.
São os acidentes que sempre acabam sendo a parte mais interessante dos nossos dias, da nossa vida.
As pessoas que nunca esperávamos que aparecessem, o desfecho dos eventos que nunca teríamos escolhido. De repente, você se vê num lugar que nunca esperou estar, ou é legal ou leva um tempo para se acostumar.
Mesmo assim, você sabe que irá gostar dele, em determinado momento. Então, cada noite você dorme pensando no amanhã, examinando seus planos, preparando as listas, e esperando que quaisquer acidentes que surjam sejam bons acidentes.
Postado por Janyne Forbes
domingo, 7 de março de 2010
Vivo a minha vida.

"Não preciso que as pessoas me digam como ser feliz, como agir, que me deêm formulas de como ser. Eu mesma crio e modelo a minha felicidade como se fosse uma massinha. Tudo se encaixa e se ajeita desse jeito, sem interferências de ninguém. Existem pessoas que tentam destruir isso, e fazem de tudo o que podem e mais um pouco, mas meu santo é mais forte. Seguir regras me incomoda, não é de mim. O que as pessoas dizem a meu respeito, comentam, é opinião deles, só eu sei como realmente sou. Acredito em contos de fadas e amores eternos, e mesmo assim, vivo com meus pés no chão. Guardo tudo o que eu passo em um baú, desde risos até lágrimas, e de vez em quando gosto de olhar tudo, e ver o quanto cresci. Meus sonhos são meus mais precioso tesouro, não abro mão deles, muito menos os vendo para alguém. Minha fórmula da felicidade é misturar amigos, família, amores, e viver."
Postado por Janyne Forbes
segunda-feira, 1 de março de 2010
Eu não sei ao certo quem sou.

" Eu apenas sei que existe algo obscuro em mim. E eu escondo. E certamente não falo sobre isso. Mas está lá. Sempre. Esse Passageiro Sombrio. Quando ele está no comando, eu me sinto... viva — e meio mal de ter essa sensação completamente errada. Não luto contra ele. Não quero. É tudo que tenho. Nada mais poderia me amar. Especialmente eu mesmo. Ou essa é só a mentira que o Passageiro Sombrio me conta? Porque existem momentos em que me sinto... conectado à algo mais, à alguém. É como se a máscara caisse. E coisas, pessoas, que nunca tiveram importância passam a ter. Isso me assusta muito".
Postado por Janyne Forbes
